Leitura Bíblica: Levítico 16:1-19
Versículo-chave: “Arão receberá da comunidade de Israel dois bodes para uma oferta pelo pecado e um carneiro para um holocausto.” (Levítico 16:5 NVT)
Levítico 16 é um dos capítulos mais impressionantes e teologicamente profundos de toda a Bíblia, pois descreve detalhadamente a cerimônia do Dia da Expiação. Entretanto, ele não aparece como uma seção isolada, mas como o ponto culminante das orientações acerca dos sacrifícios e da santidade, vindo na sequência dos trágicos acontecimentos relacionados a Nadabe e Abiú, filhos de Arão, que apresentaram fogo impróprio diante do Senhor (Levítico 10:1-2). Esse episódio severo funcionou como um alerta severo sobre a santidade absoluta de Deus e a necessidade de adorá-Lo conforme Suas próprias determinações:
“Então Moisés disse a Arão: “Foi isto que o Senhor declarou: ‘Mostrarei minha santidade entre aqueles que se aproximarem de mim. Mostrarei minha glória diante de todo o povo’”. (Levítico 10:3 NVT)
O acesso ao Santo dos Santos era rigorosamente limitado; Levítico 16 apresenta a única ocasião anual em que o Sumo Sacerdote tinha permissão para entrar naquele local, bem como o modo específico pelo qual deveria fazê-lo. O propósito central do capítulo é instituir o Yom Kippur, o Dia da Expiação, o ato litúrgico mais solene de todo o calendário israelita, estabelecido para purificar a nação de todas as suas culpas e garantir que a presença divina continuasse habitando entre o povo sem consumi-los.
“O Senhor falou com Moisés depois que os dois filhos de Arão morreram ao entrar na presença do Senhor. Disse o Senhor a Moisés: ‘Avise seu irmão Arão que não entre quando bem entender no lugar santíssimo, atrás da cortina interna; se o fizer, morrerá. Ali fica a tampa da arca, o lugar de expiação, e Eu mesmo estou presente na nuvem sobre a tampa da arca’.” (Levítico 16:1-2 NVT)
Em seguida, o Senhor apresenta todas as orientações para que Arão pudesse adentrar o santuário: ele deveria purificar-se, vestir as vestimentas sagradas de linho e sacrificar um novilho por seus próprios pecados. Além disso, receberia “da comunidade de Israel dois bodes para uma oferta pelo pecado e um carneiro para um holocausto” (Levítico 16:5 NVT).
Depois de realizar a expiação por si mesmo, Arão voltava-se à expiação do povo e do próprio santuário (Levítico 16:15-19). Ele sacrificava o primeiro bode como oferta pelo pecado e levava o sangue desse animal para o Santo dos Santos. Ali, aspergia o sangue da mesma maneira que tinha feito com o sangue do novilho – sobre o propiciatório e diante dele. Esse gesto purificava a Arca da Aliança, o objeto mais sagrado, que havia sido contaminado pela proximidade das impurezas do povo.
Arão, o sumo sacerdote, também faria expiação pelo Lugar Santo por causa das impurezas dos filhos de Israel e das suas transgressões, conforme todos os seus pecados. Ele faria o mesmo pela Tenda do Encontro, que habitava no meio das impurezas do povo. Assim, para enfatizar a exclusividade e a solenidade da mediação “ninguém mais poderia ficar na Tenda do Encontro quando Arão entrasse para realizar a cerimônia de expiação no lugar santíssimo” (Levítico 16:17 NVT). ). A necessidade de purificar o santuário e seus utensílios revelava de forma contundente a gravidade do pecado. A presença divina, mesmo num espaço consagrado, não podia suportar a contaminação humana, e a expiação era o meio estabelecido por Deus para lidar com essa realidade e preservar a aliança.
Cristo cumpre, simultaneamente, o papel de sumo sacerdote e de oferta sacrificial. Ele representa o novilho e o bode expiatório, cuja vida foi entregue para a propiciação de nossas culpas. Sua morte na cruz constituiu o sacrifício perfeito e definitivo, realizado “de uma vez por todas” mediante Sua própria entrega (Hebreus 9:26; 10:10). Ele não necessitou morrer repetidas vezes, pois a eficácia de Sua oferta é permanente. Seu sangue derramado na cruz inaugurou a Nova Aliança, sendo “derramado como sacrifício para o perdão dos pecados de muitos” (Mateus 26:28 NVT), purificando não apenas nossa impureza, mas também nossa consciência:
“Se, portanto, o sangue de bodes e bezerros e as cinzas de uma novilha purificavam o corpo de quem estava cerimonialmente impuro, imaginem como o sangue de Cristo purificará nossa consciência das obras mortas, para que adoremos o Deus vivo. Pois, pelo poder do Espírito eterno, Cristo ofereceu a si mesmo a Deus como sacrifício perfeito!” (Hebreus 9:14 NVT)




