Leitura Bíblica: Efésios 6:1; Colossenses 3:20
Versículo-chave: “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, porque isso é o certo a fazer.” (Efésios 6:1 NVT)
Em nossas reflexões anteriores, observamos a prática da submissão mútua aplicada ao relacionamento conjugal, envolvendo esposas e maridos: as mulheres são chamadas a viverem em sujeição voluntária a seus esposos, enquanto os homens são orientados a amarem suas esposas com amor abnegado e sacrificial. Paulo se fundamenta na relação entre Cristo e a igreja.
Agora, ele volta suas instruções para a relação entre pais e filhos. E, para entender a profundidade dessas orientações, é indispensável compreendê-las à luz do contexto histórico em que foram escritas.
Naquele tempo, a estrutura familiar atravessava um período de colapso tanto no judaísmo quanto nas culturas grega e romana. Entre os judeus, o divórcio havia se tornado algo corriqueiro, pois os homens se separavam de suas esposas por motivos banais – isso explica a indagação feita a Jesus sobre a legalidade do divórcio (Mateus 19:3-9; Marcos 10:2-12).
No ambiente grego, a prostituição já estava assimilada como parte da vida familiar, de modo que, mesmo havendo um cônjuge legítimo, a prática da infidelidade era normalizada. No contexto romano, a situação era ainda mais alarmante: a instituição do lar estava arruinada em seus fundamentos.
É justamente diante desse quadro que Paulo apresenta uma proposta totalmente contrária ao padrão vigente na época: a submissão da esposa associada ao amor sacrificial do marido; a obediência dos filhos aos pais e a responsabilidade dos pais em não irritá-los, mas criá-los conforme a disciplina e a instrução do Senhor.
Essas instruções assumiam um peso enorme dentro de um sistema em que o pai detinha poder absoluto sobre todos os membros da família. Tanto a esposa quanto os filhos eram considerados sua posse, e ele tinha autoridade para vender, escravizar, separar, casar ou até mesmo matar seus descendentes.
Quando uma criança nascia, era colocada aos pés do pai; se ele a levantasse, significava aceitação, mas se a rejeitasse, poderia abandoná-la, entregá-la à prostituição (se fosse menina) ou deixá-la morrer, caso fosse indesejada, enferma ou deficiente. Em meio a um cenário dominado pelo desamor e pela tirania, a mensagem de Paulo soava revolucionária, pois restaurava a dignidade da esposa, dos filhos e da própria família.
Contudo, ao olhar para os dias atuais, notamos uma inversão: a autoridade paterna foi enfraquecida, os papéis de marido e esposa se confundiram, e os filhos crescem, muitas vezes, sem referência estável, reproduzindo uma nova crise familiar. Por isso, os princípios de Paulo permanecem tão contraculturais hoje quanto no tempo em que escreveu aos Efésios.
Aos filhos, o apóstolo dirige uma ordem clara sobre a obediência aos pais:
“Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, porque isso é o certo a fazer.” (Efésios 6:1 NVT)
Percebe-se que Paulo dirige admoestações tanto aos filhos quanto aos pais, pois ambos necessitam de correção, lembrando que todos devem prestar contas a Deus. Muitas disfunções conjugais surgem quando marido e mulher não entendem seus respectivos papéis, provocando desajustes e atritos. Essa desordem acaba recaindo sobre os filhos, que perdem a referência de parâmetros firmes e podem se envolver em relacionamentos desorientados fora do lar.
A obediência, segundo o texto, não se limita a cumprir ordens mecanicamente, mas consiste em alinhar-se ao plano divino, respeitando e honrando a autoridade paterna, para que haja equilíbrio e harmonia familiar. Assim, quando os pais instruem, os filhos devem ouvir com atenção e acatar a orientação sem rivalizar, discutir ou exigir justificativas: quando pai e mãe instruem, o filho deve obedecer de imediato. Por que? “Porque isso é o certo a fazer”.
Portanto, olhar para o contexto familiar com a consciência de que somos salvos em Cristo nos leva a buscar andar em sabedoria. Andar em sabedoria é dar testemunho de que fomos redimidos pelo precioso sangue do Senhor Jesus Cristo. Uma coisa é dizer “sou salvo em Cristo Jesus”; outra é demonstrar essa salvação nas relações conjugais e familiares. Você está disposto(a)?