Leitura Bíblica: Filipenses 1:7-8
Versículo-chave: “Deus sabe do meu amor por vocês e da saudade que tenho de todos, com a mesma compaixão de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:8 NVT)
Viver a declaração “fui crucificado com Cristo” (Gálatas 2:20 NVT) inevitavelmente nos conduz pelo caminho da dor e do sofrimento. Essas experiências, muitas vezes, nos lançam em dilemas profundos que podem nos deixar emocionalmente vulneráveis. No entanto, é fundamental reconhecer que o sofrimento traz consigo um aspecto educativo. Por mais angustiantes que sejam, as adversidades cooperam para a nossa maturidade.
Nem mesmo Jesus, em sua condição humana, foi isento dessas provações. Em um instante de imensa aflição, Ele disse: “‘Minha alma está profundamente triste, a ponto de morrer’, disse Ele. ‘Fiquem aqui e vigiem.’” (Marcos 14:34 NVT). Paulo também nos serve de exemplo: ao escrever aos filipenses, mesmo sendo um prisioneiro, ele buscava incentivá-los à alegria e à união, ainda que seu coração estivesse tomado pela saudade.
“Deus sabe do meu amor por vocês e da saudade que tenho de todos, com a mesma compaixão de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:8 NVT)
A carta endereçada aos cristãos de Filipos se revela, essencialmente, como uma correspondência entre amigos: Paulo e os filipenses. Para entendê-la em sua plenitude, é preciso recordar o início do relacionamento entre o apóstolo e aquela comunidade de fé.
Em sua segunda jornada missionária, Paulo chegou a Filipos acompanhado por Silas, Timóteo e Lucas. Inicialmente, pretendia seguir para Bitínia, mas o Espírito de Deus o redirecionou à Macedônia (Atos 16:7-10). Em Filipos, pela graça de Deus, Paulo evangelizou Lídia e sua família; libertou uma jovem possuída por um espírito de adivinhação, o que resultou em sua prisão e de Silas, após serem injustamente acusados e açoitados. Na prisão, Paulo compartilhou o Evangelho com o carcereiro e sua família, levando-os à fé (Atos 16:14-15, 25-34).
Assim, mesmo enfrentando forte oposição, Paulo cumpriu seu ministério estabelecendo a igreja em Filipos. Cerca de uma década depois, quando redigiu sua carta aos filipenses, aquela pequena congregação havia se transformado em uma congregação frutífera. O principal intuito de Paulo não era corrigir falhas morais, como fez com os coríntios, ou combater heresias, como em Gálatas. Seu propósito era expressar gratidão pelo apoio financeiro enviado pelos filipenses e, acima de tudo, encorajá-los a perseverarem na fé, no amor, no conhecimento de Deus e no discernimento espiritual:
“Oro para que o amor de vocês transborde cada vez mais e que continuem a crescer em conhecimento e discernimento. Quero que compreendam o que é verdadeiramente importante, para que vivam de modo puro e sem culpa até o dia em que Cristo voltar. Que vocês sejam sempre cheios do fruto da justiça, que vem por meio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.” (Filipenses 1:9-11 NVT)